quarta-feira, janeiro 15, 2014

Blackfish: fatos e mentiras.

Lembram que no começo de agosto de 2013 eu postei sobre o "Blackfish"? Como prometido estou aqui para compartilhar o documentário online e o meu ponto de vista.

Peço a todos que forem ver o documentário, que tenham uma visão crítica, e que formem suas opiniões baseadas em fatos. 

Neste link você consegue ver "Blackfish" na íntegra:
Blackfish 2013


Confesso que fiquei revoltada com a maneira que a diretora distorceu os fatos e manipulou depoimentos.

O que Mark Simmons, ex-treinador da Sea World, disse após assistir o documentário (de que faz parte):

"Senti náusea. Se você já viveu algo intimamente, e assiste um filme sobre o assunto, um filme que parece muito bem feito, muito credível, mas que não tem nada haver com a realidade... você saberia como estou me sentindo. Fiquei enjoado. O documentário foi feito com mentiras e poucos fatos verídicos que serviram para envolver pessoas desinformadas. Pior, minha opinião foi editada para parecer que eu concordava com a visão da Gabriela. Senti raiva e vergonha."

O que Bridgette Pirtle, ex-treinadora da SeaWorld, acreditava que o documentário iria expor (ela fez parte do documentário):

"Pensei que ela estava fazendo um filme que respeitasse mais a memória de Dawn, que entendesse os aspectos da vida de um treinador de Orcas, as circunstâncias únicas que o treinamento de Orcas é realizado. Pensei que este filme iria trazer algum tipo de final, respostas, que iria trazer paz e harmonia, mas isto está longe do que realmente aconteceu."


Alguns pontos sobre o filme e o que eu penso sobre o assunto:
 2. "Cerquem uma parte do mar com uma rede e coloquem o Tilikum lá" - ok, a idéia não é completamente ruim. Mas parem para pensar: e se ele quebrar a barreira e escapar? - acha que seria bom para ele? Leia o nº 1. 
3. Concordo que shows com piruetas não são legais e não deveriam mais existir, não precisamos expor os animais a estas situações para nos sensibilizarmos. Mas infelizmente o ser humano precisa de algum tipo de contato, ele precisa estar próximo, precisa ver, precisa tocar para entender e acreditar na importância da conservação e da preservação. Gostaria que a SeaWorld fizesse uma exibição simulando o habitat natural desses animais (aquários, como o o da Georgia, já mostraram que é possível melhorar a vida em cativeiro de grandes animais marinhos)
4. A SeaWorld não estava envolvida na captura de Tilikum, ele foi capturado para a Sealand - não que isso faça a captura de Orcas uma prática aceitável, muito pelo contrário, é terrível e cruel. Mas nem tudo é culpa da SeaWorld, como o documentário quer que a gente acredite.
5. A Dawn Brancheau Foundation não esta envolvida com nenhuma luta pelos direitos dos animais, ou movimentos "libertem as Orcas", mas é sim afiliada a SeaWorld e ao Busch Gardens - a Fundação também não tem nenhuma relação ou envolvimento com o documentário (a Gabriela tentou de novo nos manipular a acreditar em uma mentira).
10. Não estou aqui alegando que a SeaWorld é perfeita, ela não é, mas esta instituição é parte essencial em projetos de educação ambiental e projetos de conservação, além disso ela reabilita centenas de animais marinhos anualmente - quer ler mais sobre esse trabalho? acesse este link
Dawn e Tilikum
M.V. Verônica Pardini


1. "Free the Orcas" ("Libertem as Orcas"), isso é lindo né? Não, não é. É uma fantasia achar que animais nascidos e criados em cativeiro conseguirão se adaptar ao seu "habitat natural" - infelizmente "Free Willy" é pura ficção. Eles não sabem caçar, eles não fazem parte de uma família, estão acostumados demais ao contato humano.... como sobreviver no oceano assim? Livres eles morreriam.



Gente não vou entrar no tema "zoológicos e aquários não deveriam existir", senão o post ia ficar muito mais longo do que já está...podemos discutir isso um outro dia ok?


  
6. Membros da família, amigos e colegas de Dawn não deram depoimentos, pois não queriam "sensacionalizar" a sua morte - a irmã de Dawn, que falou no Blackfish, não sabia que estava sendo entrevistada para o documentário. A Gabriela fingiu participar da corrida para gravar o depoimento.

7. Todos os ex-treinadores que fazem parte do documentário não tem metade da experiência que Dawn tinha (um deles até foi demitido da SeaWorld por mau comportamento perante aos animais e a sua segurança), se ela tivesse notado qualquer indicio que o Tilikum não estava em um "bom dia" ela teria parado a sessão - de acordo com Mark Simmons, a SeaWorld não obriga nenhum treinador a entrar na água com o animal caso ele não se sinta seguro.

8. No documentário falaram que estava acabando o peixe do balde - grande coisa! Eles tem baldes reservas cheios de peixe ao redor da piscina durante as sessões de treinamento.

9. As mortes e acidentes realmente aconteceram. Eu concordo que as medidas de segurança devem ser aprimoradas, mas dizer que as baleias em cativeiro "enlouquecem" já é um pouco demais para engolir. Quem trabalha ou já trabalhou com animais em cativeiro (em zoológicos e aquários bons) sabe que não é bem assim que funciona, para isso existe enriquecimento ambiental, medicina veterinária especializada, treinadores e recintos que se assemelham cada vez mais ao seu habitat natural.


Quer saber mais sobre a verdade por trás do documentário? Leia os depoimentos abaixo:
Resposta da SeaWorld
Mark Simmons, ex treinador da SeaWorld
Bridgette M. Pirtle, ex treinadora da Sea World
Ken Ramirez, Executive Vice President of Animal Care and Training for Shedd Aquarium  

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9 comentários:

  1. Bom post!! esse é um vídeo q um ex treinador do SeaWorld ajuda a desmistificar o documentario:http://www.youtube.com/watch?v=VX4GRC6L07w

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  2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  3. Assisti o documentário e fiquei em dúvida por ter notado muitas partes gritantemente sensacionalistas. Eu acredito que os animais possam sim se estressar em cativeiro, o ambiente se assemelha com o real, mas ainda sim é muito limitado. Eu ainda não tenho uma opinião 100% formada. Sei que concordo que as baleias não deveriam ter sido capturadas, e não duvido que haja (ou houve) maus tratos das outras baleias ou do ambiente proporcionado pelo SeaWorld. Como não se pode concordar com tudo, ainda tenho que pesquisar bastante. Enfim, parabéns pelo post.

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  4. http://da15bdaf715461308003-0c725c907c2d637068751776aeee5fbf.r7.cf1.rackcdn.com/adf36e5c35b842f5ae4e2322841e8933_4-4-14-updated-final-of-blacklist-list-of-inaccuracies-and-misleading-points.pdf

    nesse link tem uma lista feita por um veículo de imprensa, se não me engano, onde todos os pontos falsos do documentário são listados colocando o momento que aparece a verdade por trás dele!

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  5. Respostas
    1. Erica, quando vc tiver um pouco de argumento e experiência vivida na área você me responde, Um beijo querida!

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  6. Ótimo post , concordo com seus argumentos

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  7. Verônica, quando assisti ao documentário conclui que a questão não é a SeaWorld e seus métodos de tratamento, mas sim uma forma de abrir nossos olhos e percebermos que criar animais para darem shows NÃO É NORMAL, não é bonito, engraçado ou divertido. Sim, a SeaWorld recebeu, cuidou de golfinhos e auxiliou programas de educação ambiental, mas também mostrou para as crianças que ter um bicho selvagem num aquário é normal. Realmente, a dramaticidade do documentário é exagerada, mas necessária. Uma das unidades da SeaWorld foi fechada há alguns meses, dizem que o documentário auxilou, não sei se é verdade mas fico muito feliz. Agora perguntam: o que fazer com estes indivíduos cativos que não sabem sobreviver na natureza? Infelizmente, são vidas perdidas graças ao homem. No entanto, o funcionamento destes parques, mesmo que garanta uma vida cativa "digna" à estes animais, só serve de incentivo para a abertura de novos parques. É ridículo tirarmos os animais da natureza para ensinar sobre a conservação. 90% dos zoos, aquários etc. não prezam pela conservação destes organismos. Onde está a moral humana em abrir o maior aquário da américa latina e para isso tirar espécies da natureza para exibir? Ah, mas pera lá, não é tão ruim porque estes lugares vão fazer educação ambiental, visando a conservação destas espécies que foram tiradas do seu hábitat natural. Assim pode.
    Só para deixar claro, não estou dizendo que você defende este tipo de atrocidade, mas com este texto passa a impressão que não é absurdo usar animais como objetos de exibicionismo. Nós não precisamos mais estar próximos, ver ou tocar um golfinho para podermos conservar, cuidar e respeitar, pois já fizemos o suficiente e se não pararmos agora, quando isso acontecerá?

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