terça-feira, junho 04, 2013

Babesiose e a reintrodução de Rinocerontes Negros

Conservação de animais é um tema que me fascina! Reproduzir um animal e soltá-lo é (relativamente) fácil, mas a medicina da conservação vai muito além disso. São necessários estudos geográficos, de fauna local, de doenças das populações selvagens.... tudo isso e mais um pouco visando proteger o animal e o ambiente onde ele será reintroduzido.

Com o declínio da população selvagem de rinocerontes negros, comecei a ler sobre os esforços de reintrodução de animais reproduzidos em zoológicos. Como já disse, a medicina da conservação é complexa, portanto vou contar sobre uma das dificuldades que os especialistas encontraram durante este projeto.
 

Rinocerontes negros (Diceros bicornis) selvagens podem ser portadores latentes de Babesia bicornis.

Capilares do cérebro de um rinoceronte negro infestado com B. bicornis intraeritrocítica
Há indícios de estabilidade da doença em populações selvagens, assim como ocorre em gado. Esta estabilidade dificulta a translocação dos animais.
Porque? Bom, zoológicos geralmente tem programas de reprodução de "animais ameaçados de extinção", os filhotes nascidos em cativeiro não são expostos aos seus parasitas naturais, consequentemente não criam imunidade.
Se estes animais são reintroduzidos ao seu habitat natural e têm contato com os parasitas, eles se infectam e podem vir à óbito por falta de imunidade.

Rinoceronte sendo transportado por um helicóptero até um veículo em terra.
Mortes relacionadas à babesiose foram relatadas em vários rinocerontes negros selvagens no Kenya e na Tanzânia. Os portadores latentes ao passar por um momento de estresse (devido à captura, à perda de habitat, doenças concomitantes, gestação, deficiências nutricionais) desenvolvem a doença clínica, o que pode levá-los à morte.

A apresentação da babesiose em carnívoros e ungulados selvagens é similar a do seus "parentes" domésticos, no caso dos rinocerontes os cavalos.

O que pode ser feito para aumentar a imunidade destes animais contra a B. bicornis é a infecção artificial com o parasita específico e o tratamento com medicamentos "anti-Babesia". Estas são soluções práticas para o problema.

Links interessantes sobre o assunto:
Mais sobre a babesiose em animais domésticos.
Vaccine for Rhino
Paper about Rhino Babesiosis in Namibia
Flying Rhinos

Quem mais aqui gosta de medicina da conservação?
M.V. Verônica Pardini Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

4 comentários:

  1. Muito bom este post. O rinoceronte preto foi o primeiro animal que tratei na vida, e era de vida livre!
    A medicina de conservação também me fascina. Pretendo seguir! :) Bjs

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    Respostas
    1. Fico feliz que tenha gostado! São animais maravilhosos mesmo! :)

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  2. Coitadinho no Rino, amarrado de cabeça pra baixo?... kakakakakak,
    Desculpe!
    Belo trabalho o seu, doutora Verônica!
    Vovô Alfredo

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